Alterações hormonais femininas e menopausa
Alterações do ciclo menstrual, ondas de calor, mudanças na composição corporal, acne, aumento de pelos, queda de cabelo e outros sintomas podem levar à suspeita de uma alteração hormonal.
Entretanto, sintomas semelhantes podem ter causas muito diferentes, e nem toda mudança no organismo feminino significa necessariamente um “desequilíbrio hormonal”.
A avaliação endocrinológica busca identificar quando existe efetivamente uma alteração hormonal, investigar suas possíveis causas e definir se há necessidade de tratamento.
Entre as situações avaliadas estão menopausa e climatério, síndrome dos ovários policísticos (SOP), irregularidade menstrual, hiperandrogenismo, hiperprolactinemia e alterações da tireoide, além de outras condições endócrinas capazes de interferir no ciclo menstrual, metabolismo e saúde da mulher.
O que são alterações hormonais femininas?
Os hormônios participam da regulação do ciclo menstrual, ovulação, fertilidade, metabolismo, composição corporal, saúde óssea e diversas outras funções do organismo.
O sistema hormonal feminino envolve uma interação entre hipotálamo, hipófise e ovários, além da participação de outras glândulas, como tireoide e suprarrenais.
Por isso, alterações menstruais ou sintomas atribuídos aos hormônios podem surgir por diferentes motivos.
Entre eles estão síndrome dos ovários policísticos, alterações da tireoide, hiperprolactinemia, transição para a menopausa, alterações importantes de peso, exercício físico excessivo, baixa disponibilidade energética, alguns medicamentos e diferentes doenças.
O primeiro passo, portanto, não é simplesmente solicitar uma grande quantidade de exames hormonais, mas compreender os sintomas e determinar quais hipóteses realmente precisam ser investigadas.
Quando suspeitar de uma alteração hormonal?
Alguns sinais e sintomas podem justificar uma avaliação hormonal, especialmente quando são persistentes, intensos ou surgem associados.
Entre eles estão:
* menstruação irregular ou ausência de menstruação;
* ondas de calor e suores noturnos;
* sintomas geniturinários relacionados à menopausa;
* acne ou aumento de pelos em padrão masculino;
* queda de cabelo em determinados contextos;
* secreção de leite pelas mamas fora da gestação ou amamentação;
* dificuldade para engravidar associada a alterações menstruais;
* ganho ou perda de peso acompanhados de outros sinais clínicos;
* suspeita de doença da tireoide;
* menopausa em idade mais precoce que o esperado.
Esses sintomas não estabelecem, isoladamente, um diagnóstico hormonal. A história clínica, o exame físico e exames selecionados de acordo com cada situação são necessários para definir sua causa.
O que é o climatério?
O climatério corresponde à fase de transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da vida da mulher.
Durante essa transição, a atividade ovariana se modifica progressivamente e podem ocorrer oscilações hormonais importantes.
É comum que inicialmente apareçam mudanças na duração ou regularidade dos ciclos menstruais. Algumas mulheres desenvolvem ondas de calor, suores noturnos, alterações do sono e sintomas geniturinários, enquanto outras atravessam esse período com poucos sintomas.
A experiência da transição menopausal varia consideravelmente entre mulheres.
O que é menopausa?
A menopausa corresponde à última menstruação espontânea decorrente da perda da atividade folicular ovariana.
Na prática clínica, o diagnóstico geralmente é estabelecido retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruar, quando não existe outra causa para a ausência da menstruação.
A idade de ocorrência varia, mas a menopausa natural geralmente acontece entre os 45 e 55 anos.
Quando ocorre antes dos 40 anos, deve-se considerar a possibilidade de insuficiência ovariana prematura, uma condição que exige investigação e possui implicações específicas para saúde óssea, cardiovascular, reprodutiva e qualidade de vida.
É necessário dosar hormônios para diagnosticar a menopausa?
Nem sempre.
Em mulheres com idade compatível, sintomas típicos e alterações características do ciclo menstrual, o diagnóstico da transição menopausal costuma ser predominantemente clínico.
Dosagens hormonais isoladas podem inclusive ser difíceis de interpretar durante a perimenopausa, pois os níveis de FSH, estradiol e outros hormônios podem oscilar significativamente.
Em situações específicas, entretanto, exames podem ser necessários — por exemplo, quando os sintomas aparecem em idade incomum, existe dúvida diagnóstica ou é necessário investigar outras causas de irregularidade menstrual ou amenorreia.
A investigação deve ser direcionada pela história clínica, em vez de baseada em painéis hormonais extensos solicitados indiscriminadamente.
Quais são os sintomas da menopausa?
Os sintomas variam muito entre as mulheres.
Ondas de calor e sudorese noturna estão entre as manifestações mais características da transição menopausal. Alterações do sono também são frequentes e podem ocorrer isoladamente ou ser agravadas pelos sintomas vasomotores.
Com a redução dos níveis de estrogênio, também podem surgir alterações vulvovaginais e urinárias, incluindo ressecamento vaginal, desconforto ou dor durante relações sexuais e alguns sintomas urinários. Esse conjunto de alterações é atualmente denominado síndrome geniturinária da menopausa.
Mudanças de humor e outros sintomas também podem ocorrer durante essa fase, mas é importante evitar atribuir automaticamente qualquer manifestação à menopausa. Distúrbios da tireoide, transtornos do sono, medicamentos e diversas outras condições podem produzir sintomas semelhantes.
Menopausa causa ganho de peso?
A relação é mais complexa do que simplesmente afirmar que a menopausa “engorda”.
O envelhecimento está associado a mudanças no gasto energético, atividade física e composição corporal que podem favorecer aumento de peso ao longo dos anos.
A transição menopausal, por sua vez, está particularmente associada a mudanças na distribuição da gordura corporal, com tendência a maior adiposidade central e visceral.
Além disso, alterações do sono e outros sintomas podem interferir indiretamente no peso, alimentação e atividade física.
Por isso, a avaliação deve considerar peso, circunferência abdominal, composição corporal, hábitos de vida e risco metabólico, e não apenas atribuir uma mudança de peso às alterações hormonais.
Menopausa aumenta o risco cardiovascular?
Após a menopausa ocorrem alterações metabólicas que podem contribuir para o risco cardiovascular, mas idade, pressão arterial, tabagismo, diabetes, colesterol, histórico familiar e outros fatores continuam sendo fundamentais para determinar o risco individual.
Por isso, a transição menopausal também representa uma oportunidade para revisar a saúde cardiometabólica.
Pressão arterial, glicemia e perfil lipídico podem ser avaliados conforme a indicação individual, juntamente com peso, circunferência abdominal, atividade física, alimentação e outros fatores de risco.
A terapia hormonal da menopausa não deve ser iniciada com a finalidade de prevenir doença cardiovascular.
## Menopausa e saúde óssea
A redução da produção de estrogênio após a menopausa acelera a perda de massa óssea.
Esse processo contribui para o aumento do risco de osteoporose e fraturas com o avançar da idade.
A necessidade de realizar densitometria óssea depende de idade e fatores de risco individuais. Histórico de fraturas, baixo peso, uso prolongado de determinados medicamentos, tabagismo, consumo excessivo de álcool e algumas doenças podem modificar a indicação de investigação.
Além disso, exercício físico — especialmente atividades resistidas e com impacto quando apropriadas —, ingestão nutricional adequada e correção de deficiências quando presentes fazem parte das estratégias de preservação da saúde óssea.
Terapia hormonal da menopausa: quando pode ser indicada?
A terapia hormonal da menopausa é o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores, como ondas de calor e suores noturnos, e pode ser utilizada em mulheres adequadamente selecionadas.
Também possui papel importante no tratamento de sintomas geniturinários e na prevenção da perda óssea enquanto está sendo utilizada.
A decisão de iniciar terapia hormonal deve considerar intensidade dos sintomas, idade, tempo desde a menopausa, presença de útero, antecedentes pessoais, fatores de risco, contraindicações e preferências da paciente.
Para muitas mulheres sintomáticas com menos de 60 anos ou dentro dos primeiros 10 anos após o início da menopausa e sem contraindicações, a relação entre benefícios e riscos tende a ser favorável.
Isso não significa que exista uma idade ou duração universalmente adequada para todas as mulheres. O tratamento deve ser individualizado e periodicamente reavaliado.
Estrogênio isolado ou associado à progesterona?
Isso depende principalmente da presença ou ausência do útero.
Em mulheres com útero, o uso sistêmico de estrogênio geralmente exige proteção endometrial adequada com um progestagênio, porque a exposição do endométrio ao estrogênio sem oposição aumenta o risco de hiperplasia e câncer endometrial.
Mulheres submetidas à histerectomia geralmente não necessitam dessa associação, embora existam situações clínicas particulares que precisam ser consideradas individualmente.
A escolha da formulação, dose e via de administração também depende das características e dos riscos de cada paciente.
Terapia hormonal transdérmica ou oral?
Existem diferentes formas de administrar estrogênio.
A via oral e a transdérmica apresentam características farmacológicas diferentes. Preparações transdérmicas evitam a primeira passagem hepática e estão associadas a menor efeito sobre alguns fatores de coagulação e triglicerídeos.
Em mulheres com determinados fatores de risco, a via transdérmica pode ser particularmente interessante.
Isso não significa, entretanto, que exista uma única formulação ideal para todas as mulheres. A escolha deve ser individualizada.
Terapia hormonal aumenta o risco de câncer de mama?
Essa pergunta não possui uma resposta adequada em uma única frase.
O risco depende do tipo de terapia hormonal, das medicações utilizadas, duração do tratamento e características individuais da paciente.
Os dados disponíveis indicam diferenças entre terapia com estrogênio isolado e determinadas combinações de estrogênio e progestagênio.
Por isso, o risco individual de câncer de mama deve fazer parte da discussão antes do início do tratamento, juntamente com os benefícios esperados e os demais riscos.
A terapia hormonal não deve ser prescrita indiscriminadamente, mas também não deve ser considerada de forma generalizada como um tratamento proibitivo ou necessariamente perigoso para todas as mulheres.
A decisão adequada é individualizada e baseada na melhor evidência disponível.
Existem contraindicações à terapia hormonal?
Sim.
Algumas condições podem contraindicar determinadas formas de terapia hormonal sistêmica ou exigir avaliação especializada antes de sua utilização.
Entre os antecedentes particularmente relevantes estão alguns cânceres hormônio-dependentes, sangramento vaginal sem causa esclarecida, doença tromboembólica, doença cardiovascular e determinadas doenças hepáticas.
O tipo de condição, sua história e o tratamento pretendido precisam ser analisados individualmente.
Além disso, tratamento sistêmico e tratamento vaginal local não possuem necessariamente o mesmo perfil de absorção, riscos e indicações.
E quando os sintomas são predominantemente vaginais ou urinários?
Para mulheres com síndrome geniturinária da menopausa, o tratamento depende do tipo e da intensidade dos sintomas.
Lubrificantes e hidratantes vaginais podem ser suficientes em alguns casos.
Quando os sintomas persistem, terapias locais podem ser consideradas. O estrogênio vaginal em baixas doses apresenta absorção sistêmica muito menor do que a terapia hormonal sistêmica e é uma das estratégias mais eficazes para determinados sintomas geniturinários.
Situações especiais, particularmente mulheres com histórico de câncer hormônio-dependente, exigem decisão individualizada e eventualmente discussão conjunta com os profissionais envolvidos no tratamento oncológico.
Existe reposição de testosterona para mulheres?
A testosterona não deve ser utilizada como tratamento genérico para cansaço, ganho de peso, melhora da composição corporal ou como estratégia de “rejuvenescimento”.
A principal situação em que existe evidência para seu uso em mulheres é o transtorno do desejo sexual hipoativo em mulheres pós-menopáusicas adequadamente avaliadas, depois de considerados outros fatores capazes de interferir na função sexual.
Mesmo nesse contexto, indicação, dose e acompanhamento precisam ser cuidadosos.
O objetivo não é produzir níveis de testosterona acima da faixa fisiológica feminina.
Implantes hormonais são necessários para tratar a menopausa?
Implantes hormonais manipulados ou formulações apresentadas comercialmente como “chips hormonais” não representam uma necessidade para o tratamento adequado da menopausa.
Sociedades médicas recomendam preferência por formulações hormonais aprovadas e padronizadas quando disponíveis, cuja dose, eficácia, segurança e qualidade de fabricação sejam mais bem estabelecidas.
Formulações manipuladas podem ter indicação em situações específicas nas quais uma preparação comercial adequada não esteja disponível, mas não apresentam evidência de superioridade simplesmente por serem denominadas “bioidênticas”.
O termo “bioidêntico”, isoladamente, não significa que um tratamento seja mais seguro ou mais eficaz.
Síndrome dos ovários policísticos também é uma alteração hormonal?
A síndrome dos ovários policísticos é uma das condições endócrino-reprodutivas mais comuns em mulheres em idade fértil.
Ela pode se manifestar com irregularidade menstrual, aumento de pelos, acne e alterações metabólicas, mas sua apresentação varia consideravelmente.
O diagnóstico exige critérios específicos e a exclusão de outras condições que podem produzir manifestações semelhantes.
Além das alterações reprodutivas, mulheres com SOP apresentam maior frequência de resistência à insulina e alterações metabólicas, tornando importante avaliar fatores como peso, pressão arterial e metabolismo da glicose de acordo com o perfil individual.
Nem toda mulher com ovários de aspecto policístico ao ultrassom apresenta síndrome dos ovários policísticos.
Da mesma forma, o diagnóstico não exige necessariamente que a mulher apresente obesidade.
Irregularidade menstrual sempre significa SOP?
Não.
Embora a síndrome dos ovários policísticos seja uma causa frequente, ciclos irregulares podem ocorrer por inúmeras razões.
Gestação deve ser considerada quando pertinente. Alterações da tireoide, hiperprolactinemia, mudanças importantes do peso corporal, exercício físico excessivo, baixa disponibilidade energética, medicamentos, transição menopausal e outras alterações do eixo reprodutivo também podem interferir na menstruação.
Por isso, o diagnóstico de SOP não deve ser feito exclusivamente com base em irregularidade menstrual ou em um ultrassom ovariano.
Prolactina alta: o que significa?
A prolactina é produzida pela hipófise e pode aumentar por diferentes motivos.
Gestação, amamentação, alguns medicamentos, hipotireoidismo e alterações da própria hipófise estão entre as possibilidades.
Quando suficientemente elevada, a prolactina pode interferir no ciclo menstrual, ovulação e fertilidade e eventualmente provocar galactorreia.
Um resultado aumentado precisa ser interpretado dentro do contexto clínico. Dependendo da situação, pode ser necessário confirmar o resultado, revisar medicamentos, investigar outras causas e, em casos selecionados, realizar exames de imagem da hipófise.
Alterações da tireoide podem interferir no ciclo menstrual?
Sim.
Tanto hipotireoidismo quanto hipertireoidismo podem interferir na função reprodutiva e no padrão menstrual.
Entretanto, sintomas inespecíficos como cansaço, dificuldade para emagrecer, queda de cabelo ou alterações de humor não permitem diagnosticar doença da tireoide sem avaliação adequada.
Quando existe indicação clínica, exames como TSH e, conforme o contexto, T4 livre e outros testes permitem avaliar a função tireoidiana.
Como é feita a investigação das alterações hormonais femininas?
Não existe um “check-up hormonal” único que seja apropriado para todas as mulheres.
A investigação depende da idade, padrão menstrual, sintomas, medicamentos utilizados, possibilidade de gestação, antecedentes pessoais e hipótese diagnóstica.
Dependendo da situação, podem ser avaliados hormônios relacionados ao eixo ovariano, função tireoidiana, prolactina, andrógenos e parâmetros metabólicos.
Em outros casos, determinados exames hormonais não acrescentam informação relevante.
A interpretação também precisa considerar o momento do ciclo menstrual e o contexto em que o exame foi realizado.
Solicitar mais hormônios não significa necessariamente realizar uma avaliação melhor.
Como é o acompanhamento endocrinológico da mulher?
O acompanhamento endocrinológico procura integrar os sintomas hormonais à saúde metabólica e aos diferentes momentos da vida da mulher.
Isso pode envolver avaliação do ciclo menstrual, sintomas da menopausa, função tireoidiana, metabolismo da glicose, colesterol e triglicerídeos, peso e composição corporal, saúde óssea e outros fatores de risco conforme a necessidade individual.
Quando existe indicação de tratamento hormonal, a decisão é compartilhada com a paciente após discussão dos benefícios, riscos e alternativas disponíveis.
Em algumas situações, o cuidado também pode ser integrado ao acompanhamento ginecológico e a outras especialidades.
## Tratamento da menopausa e alterações hormonais femininas em Florianópolis e Santo Amaro da Imperatriz
Realizo acompanhamento endocrinológico em Florianópolis e Santo Amaro da Imperatriz para mulheres com sintomas relacionados à menopausa e ao climatério, irregularidades menstruais, síndrome dos ovários policísticos, hiperprolactinemia, alterações da tireoide e outras condições hormonais e metabólicas.
A avaliação é individualizada e baseada na história clínica, exame físico e exames complementares quando indicados.
Nos casos de menopausa, o objetivo é identificar quais sintomas podem estar relacionados à transição hormonal, avaliar aspectos importantes da saúde metabólica e óssea e discutir as possibilidades de tratamento de acordo com o perfil de cada mulher.
Quando existe indicação de terapia hormonal da menopausa, são avaliados seus potenciais benefícios e riscos, contraindicações e a formulação, dose e via de administração mais adequadas para cada caso.
O acompanhamento também pode integrar questões frequentemente associadas a essa fase da vida, como mudanças na composição corporal, risco de osteoporose, alterações da glicose, colesterol e triglicerídeos e outros fatores cardiometabólicos.
Quando procurar um endocrinologista?
A avaliação endocrinológica pode ser particularmente útil diante de sintomas de menopausa que comprometem a qualidade de vida, menopausa precoce, irregularidade ou ausência de menstruação, suspeita de síndrome dos ovários policísticos, prolactina elevada, sinais de excesso de andrógenos ou suspeita de alterações da tireoide e de outras condições hormonais.
Também pode ser indicada quando existem dúvidas sobre terapia hormonal, seus riscos e benefícios ou sobre resultados de exames hormonais previamente realizados.
O objetivo não é simplesmente “normalizar hormônios” ou perseguir valores laboratoriais isolados.
O tratamento endocrinológico busca identificar alterações clinicamente relevantes e utilizar estratégias com benefícios demonstrados, considerando sintomas, riscos, saúde metabólica, saúde óssea e as preferências de cada mulher.
Dr. Tiago Suassuna
Endocrinologista
CRM-SC 29400 | RQE 21653